terça-feira, 25 de janeiro de 2011

I had to let it happen,I had to change

Couldn't stay all my life down at heel looking out of the window,staying out of the sun

   As luzes do recinto estavam apagadas.Apenas algumas luzes iluminavam o palco,fazendo com que ela pudesse se situar e ficar no meio do palco.Ela olhou cada uma das cadeiras a sua frente vazias com um leve sorriso,imaginando cada um dos espectadores que viriam,imaginando cada um dos espectadores que ela desejava que viesse.
   As luzes do recinto continuavam apagadas,desta vez,entretanto,todas as luzes possiveis iluminavam o palco.Ela não enxergava um palmo a sua frente de forma perfeita,o que é era bom.Assim,poderia fingir que estava sozinha,em seu quarto,praticando as músicas.Assim,tudo ficaria mais fácil. Kiss today goodbye,the sweetness and the sorrow. O piano entrou da mesma forma doce com que sua voz havia cantado. Wish me luck the same to you but I can't regret what I did for love,what I did for love. Ela balançou a cabeça lentamente de forma negativa.Em todo o tempo,em todas as decepções,machucados e mágoas,ela ainda não se arrependera - nem se arrependeria - do que havia feito. Look,my eyes are dry E sim,eles realmente estavam secos.Não tinha lágrimas para deixa-los molhados,para faze-la chorar. The gift was ours to borrow,it's as if we always knew. Ao seu ver,todo o amor que havia dedicado era um presente o qual fora usado de forma errada.Fora usado de forma que ela tivesse que toma-lo de volta e guardasse consigo,contra seu peito o qual batia um coração que não tinha o tal amor que desejava. And I won't forget what I did for love,what I did for love. Desceu,lentamente as escadas que levavam em direção ao corredor formado dentre as cadeiras do pequeno teatro.Andou,de forma lenta,olhando nos olhos de cada um.Alguns choravam ao lhe olhar,outros não se atreviam a olha-la sabendo do risco de chorar que corriam. Gone,love is never gone as we travel on.Love's what we'll remember! Ela segurou firmemente em uma das cadeiras,virando-se para o palco,agora vazio.Pequenas lembranças lhe correram pela memória ao olhar aquele palco vazio que nesse momento se parecia tanto com seu coração.Vazio. Kiss today goodbye and point me t'ward tomorrow. Andou,lentamente até o palco.Cantando mais para si mesma do que para todos os outros.Segurou o leve vestido branco - quase de um leve e claro prateado - o levantando enquanto subia as escadas novamente.Então,encontrou os olhos que julgou que não encontraria ao olhar para a platéia. We did what we had to do. Cantou diretamente para os olhos verdes que a encaravam com alegria,admiração e que lhe pediam perdão. Won't forget,can't regret what I did for love what I did for love Seus olhos se desviaram,olhando para toda a platéia enquanto abria seus braços como se os quisesse envolve-los em um abraço.Sua voz se elevava ganhando certa grandeza. Love is never gone as we travel on,love's what we'll remember! Deixou seus braços cairem ao lado de seu corpo,fechando os olhos e deixando que os últimos versos,as últimas notas saissem de seu ser com a perfeição que esperava,que queria,que necessitava. Kiss today goodbye and point me t'ward tomorrow Se tudo tem algum motivo na vida,sua decepção tivera esse motivo.Ajuda-la a fazer essa transformação de dor em amor,em vida.Em uma vida musical porque,pra ela,notas tinham vida própria. We did what we had to do Won't forget,can't regret what I did for love,what I did for love! A grandeza tomou conta de seu corpo novamente.Muitos já estavam se levantando,prontos para aplaudi-la. What I did for love A voz saiu doce,delicada,baixa,concentrada na palavra amor.Abaixou a cabeça,deixando-se ouvir os aplausos de todos.Então,levantou a cabeça e encontrou três pares de olhos que fizeram o momento ser melhor do que o esperado.O par de olhos azuis lhe jogava um leve beijo enquanto sorria abertamente.O par de olhos castanhos chorava enquanto lhe aplaudia.O par de olhos negros somente sorria com o olhar enquanto sussurrava sem som algum o quão orgulhoso estava de sua francesa.No final,love's what we'll remember,mesmo sem ser o amor esperado,o reciproco,o que queremos.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

The wind blows.

   Uma nota alta na guitarra a fez despertar e perceber onde se encontrava.O jogo de luzes junto com a pequena neblina que rondava seus pés,causada por puro gelo seco,lhe deu a informação que necessitava.Olhou para a taça em sua mão levemente decorada com a coloração da bebida - que ia de um belo vermelho,no fundo da taça,até um vivo laranja,já no topo da taça - e com a pequena flor branca - o que lhe dava um sentido um tanto quanto tropical - e bebeu.O gosto familiar percorreu sua garganta a fazendo abrir um belo sorriso,sentia falta do doce que era o Sex on the Beach.Outra nota na guitarra,seguida de uma presença mais marcante da bateria a fez olhar para o palco onde se encontravam os músicos.Entretanto,seus olhos não procuravam os músicos e sim uma fã em particular que - provavelmente - estava tão próxima do palco que poderia se confundir a banda com a própria fã.Então,seus olhos a encontraram.Estava vestindo sua jaqueta de couro habitual e - como também habitual - estava balançando o corpo da forma mais despojada o possível.
   Tinha andado pela multidão até chegar perto dela.Bateu levemente a cintura com a dela,a fazendo rir em meio a canção que cantava:
  - Pensei que tinha se perdido em meio ao paraíso. - A outra riu como resposta.
   - Eu estava em um estado de hiatus,por assim dizer. - E era exatamente isso.Havia se perdido em pensamentos tão profundos e complexos sobre sua situação que havia ficado em hiatus:seu corpo estava presente,mas intelectualmente ela estava longe.
   A menina fez uma leve careta e perguntou,antes que a dúvida a corroesse por dentro:
   - E em que conclusão chegou em seu momento de hiatus? - A outra menina mordeu os lábios tentando ter as palavras certas para descrever o quão libertador foi chegar a conclusão que tanta perfeição fora somente ilusão.Então,a bateria se tornou mais marcante e mais lenta,o ritmo da música trouxe a ela a resposta exata.
   - There was a day,you threw our love away then you passed it to someone new.You wanna stay but since you wanna play,we can finally say we're through.And I know there are times you're so impossible and you ask me to go.(Houve um dia,você jogou seu amor fora e passou para alguém novo.Você quer ficar mas já que você quer brincar,podemos dizer que acabamos.Tem vezes que você é tão impossível e você me pede para ir.)- Cantou antecipando as letras da música.A menina passou seu braço pelo ombro dela,deixando que repoussasse a cabeça em seu ombro,enquanto se balançava de forma lenta.Ela sabia que a melhor amiga falava sobre deixar certos hábitos confortaveis para o lado quando eles começam a doer tanto que tal dor se torna permanente.Entretanto,tal dor não importava mais para a outra menina.Não quando ela estava com sua complicadinha,aquela que ela achou que não poderia mais ocupar o topo de seu coração mas que,na verdade,nunca saiu de lá,só manteve-se escondida...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Now you can see,you know what I mean

I know you love her like a woman,soon take advantage of you.
Let me tell you,my friend,that just ain't no substitute.You oughta!

Os cabelos dourados como o Sol daquela quente tarde estavam ao vento enquanto ela aumentava bruscamente a velocidade do conversível vermelho,indo de 6O para 1OO quilometros por hora.Ela deixou que a mão direita saísse do volante enquanto aumentava o volume da música que tocava.Treat Her Like a Lady parecia uma ótima música a se ouvir quando parecia que ser tratada com um pouco de carinho era algo dificil de se desejar estando ao lado dele.E foi por isso que ela partiu pela manhã quando ele ainda estava no trabalho.Juntou tudo o que havia,não deixou pista de onde iria e foi embora.
Batia no volante do carro levemente acompanhando a bateria.Balançava os cabelos para frente e para trás e cantava os versos quando tinha vontade de fazer.Alguns motoristas baixavam seus vidros para ver a cena melhor:uma linda mulher loira rindo e cantando da forma mais sensual possível sem ao menos perceber.
- Psiu! - Ela ouviu alguém chamar.Virou a cabeça para o lado e baixou levemente os óculos escuros.E foi então que tremeu.Os olhos verde esmeralda a encaravam de forma intensa com um sorriso de canto nos lábios.
- O que...como? - Ela estava perdida.Como ele poderia te-la encontrado?Ela sabia que não havia deixado pista alguma,nem tinha ligado para ninguém falando que tinha ido embora.Então,como?
- Why Georgia? - Ele respondeu dando ombros.Estava com as janelas do Impala preto abaixadas para pode-la ver melhor dentro de seu conversível vermelho.Os carros estavam a apenas alguns centímetros de distancia.
Ela riu de forma alta.Ela sempre havia dito que um dia queria ir para Georgia se tudo desse errado,queria saber se era realmente tão bom assim como descrevia na música.Uma pergunta se formou em sua mente e ela falaria a ele,se o sinal não tivesse aberto.Recolocou os óculos de forma certa no rosto e acelerou pelas ruas de Woodstock.Por vezes olhava,esperando que o Impala preto a estivesse seguindo e,para a felicidade de uma das parte dela,ele a seguia.Foi então que resolveu parar o carro.
- Você não deveria ter ido. - Ele disse prontamente quando sentou-se no banco de passageiro do conversível.
- Você não deveria ser tão estúpido. - Ela respondeu sem pensar duas vezes e sem olha-lo nos olhos.Ela sabia que no momento em que olhasse,se entregaria.E ela não queria se entregar novamente.Não,uma parte dela não queria se entregar novamente.
- Eu não deveria ser tão estúpido,realmente. - Ele disse sem algum tipo de sarcasmo.Virou-se para ela e segurou seu queixo de forma leve,a fazendo olhar para ele. - Você pode ir para outro lugar,mas eu ainda estarei aqui.Eu ainda irei te seguir até que você resolva voltar para mim.Para nós. - Ela se perdeu no meio daquele brilho intenso que o olhar dele lhe trazia,então retomou sua consiencia lha dizendo:
- Você sempre diz isso e eu volto,mas eu torno a ter algum meio de fuga.Porque sempre dá errado. - Ela se livrou do leve toque dele e suspirou. - Agora,o que eu preciso é...não ser nenhuma substituta.Não me sentir assim,eu não posso,nem quero. - Concluiu,por fim.Ele a encarou por um tempo em silêncio então tomou os lábios dela com os dele,os beijando de forma longa e sutil.Sentiu o gosto da língua dela contra a dele,até que encerrou o beijo,selando os lábios de ambos:
- Eu ainda vou te seguir. - Ele disse saindo do conversível.Entrou no Impala e esperou até que ela ligasse o carro e fosse para outro lugar.Esperou por muito tempo,mas ainda assim esperou.E quando ela foi embora,ele estava atrás dela disposto que ela o perdoasse,pelo o que seja que ele houvesse feito a ela.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Dreaming with a broken heart.

When you're dreaming with a broken heart the waking up is the hardest part.

   Olhos passados em páginas de pessoas um pouco vazias,outras com pouco mais de conteúdo mas que no fundo são tão vazias quanto as anteriores.Algumas pessoas tem belas edições que lhe fazem refletir que,no final das contas,você mal sabe usar seu programa de edição direito.Então você desiste de editar,se promete não editar até que edita qualquer coisa,um simples corte de 16Ox129 e fica feliz,no final das contas você sabe editar alguma coisa,qualquer coisa.
   Se passam horas e você está respondendo um recado qualquer,tentando parecer simpático e animado,tão animado quanto parece estar no messenger dizendo asneiras quaisquer sobre o mundo em que se encontra.Entretanto,por trás de toda falsa animação você se encontra dentro de um pequeno poço feito sob medida para seu corpo e,neste poço,a água vai tomando conta cada vez mais até que você se vê quase afogado e,quer saber?Você se deixa se afogar,se deixar ficar naquela água gélida que corroí o seu ser pouco a pouco.Entende de uma vez,nesse meio tempo entre morte e estar sobrevivendo,que nenhum daqueles com quem trocou recados ou falsas risadas está ali para te segurar pela mão enquanto se afoga nas águas da rotina de passar os olhos por páginas e mais páginas durante horas.
   Então,misteriosamente,uma mão aparece.Ela tenta fazer com que você volte,que saia daquele período de quase morte.Tenta,faz força e então faz com que você volte.A mesma mão lhe embala nos braços,fazendo com que o calor das pelas seja sentido.Quando você encara o rosto percebe que não se trata de um anjo nem de um demonio ou de uma visão,se trata da única pessoa para a qual você se abriu durante todo o tempo.A única que pode lhe fazer sorrir ou chorar,a única a qual você sabe que vale a pena continuar vivo.Ela não te deixa desistir,ao contrário,lhe dá forças e aprensenta-lhe um fato:você é muito maior do que aquilo.E outro fato:você nunca irá perde-la,incondicionalmente,ela está em todas as suas vidas.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Something’s missing

And I don’t know what it is, no I don’t know what it is.Friends,check.Money,
check.A well slept,check.Opposite sex,check.Guitar,check.
Microphone,check.Messages waiting on me when I come home.


   Levemente,ela mordeu os lábios.Em parte,ela estava realmente feliz por ele te encontrado a felicidade entretanto,em outra parte,ela estava se remoendo de raiva por não poder mais toca-lo do jeito que ela deseja,do jeito que ela queria,acima de tudo,do jeito que ela saberia que a leveria até o céu e a faria voltar depois de muito tempo.As palavras dele ainda estavam sussurrando em sua mente quando ela parou para apoiar a cabeça em uma bela parede de tijolos antiga.Ela suspirou olhando para o céu,escuro e sem nenhuma estrela.Talvez ele estivesse retrando seu humor:negro,sem chances de sorrisos ou risadas que fossem verdadeiras.Ela ficou olhando o céu por um longo tempo,não soube por quanto,mas somente o ficou o olhando,encarando aquela beleza fora do mundo que estava a retratando no momento.Ela ouviu a música ao fundo.Quase não se ouvia o violão ao fundo da voz grossa carregada com um certo sotaque.Ela se deixou levar pela melodia,sem reconhece-la até que chegou em seu refrão marcante.So in the end its not just you with your memories and your scars,fall on me if you ever forget how beautiful you are.Uma lágrima leve desceu pelo o rosto da menina,talvez pela situação em que se encontrava,sem ninguém que pudesse lhe apresentar um prazer sem culpa.Talvez pela beleza da música e da voz de quem a cantava.A música cessou,mas logo tornou a recomeçar,foi o que a fez reconhecer o seu toque de celular.
   - Alô? - Ela disse tentando encobrir a voz chorosa.Mesmo com uma singela lágrima sua voz já mudava de forma dramática,passando para um tom choroso.
   - Finalmente.Eu já lhe deixei mais de duas mensagens. - A voz do outro lado da linha era compatível com a voz que havia cantado.Era grossa e carregada com o mesmo sotaque.Um único nome lhe passou pela cabeça,lhe trazendo,de alguma forma,uma salvação.
   - John! - Ela disse com felicidade e com um certo tom animado na voz.
   - Não,é o Lúcifer.Se bem que...se tratando de mim é bem provável. - Ele disse dando uma pequena pausa para pensar.Então,retomou a fala. - Então,aqui é o Papai Noel! - Ele disse em tom sarcástico o que,pela primeira vez na noite,a vez rir de forma verdadeira.
   - Bobão! - Ela disse entre risadas. - Onde você está? - Perguntou querendo correr para onde ele estivesse e,assim,se sentir melhor ao lado dele.Ele a faria rir por nada.
   - Agora?Em frente ao seu apartamento,quase dormindo no banco do Impala esperando que você apareça. - Ele disse dando um pequeno bocejo no fim.Ela,pela primeira vez,percebeu o som que vinha do fundo.Highway to Hell.Como não pudera perceber antes?
   - Eu estou indo. - Estava quase terminando a ligação quando lembrou-se. - Não durma. - Então,apertou o pequeno botão e,jogando o celular no fundo de sua bolsa,começou a andar em direção a John.
   O Impala preto estava estacionado em frente a sua casa.John batucava na lateral do carro e,segundo sua observação,era claramente Back in Black que ele batucava.Ele olhava para frente,um tanto quanto disperso e tal dispersão lhe rendeu um curto grito quando ela abriu a porta do carro e sentou-se no banco de carona.
   - Capeta! - Ele gritou colocando a mão sobre o coração. - Avise da próxima vez! - Disse ainda com a mão sobre o coração tentando controlar os batimentos cardíacos.
   - Lúcifer, - Ela disse em um tom calmo e controlado. - pare de ser tão medroso! - John franziu as sombrancelhas,então,pos suas mãos ao redor da fina cintura dela lhe fazendo cócegas.
   - Medroso?Quem é o medroso agora,capeta? - Ele perguntava dentre as risadas e os gritos dela.Alguns que passavam na rua olhavam para dentro do Impala com curiosidade.John ouvira até um "No meu tempo,faziam sexo de forma mais silenciosa!" o que o fez aumentar as cócegas.
   Determinado tempo depois,ele parou,a vendo com satisfação enxugar as lágrimas que desciam por seu rosto,provenientes das risadas.
   - Para onde vamos hoje? - Ele perguntou,ajeitando-se no banco.
   Ela pensou por um tempo,até que disse:
   - Qualquer lugar com cerveja gelada e uma jukebox que toque boas músicas. - John a olhou de rabo de olho com um sorriso de canto plantado nos lábios.
   - Essa é a minha garota! - Disse com grande orgulho.Elizabeth riu e deu ombros enquanto ligava o rádio.
   - Eu aprendi com o melhor. - Então calou-se,deixando a voz de Jon Bon Jovi entrar no carro enquanto ela jogava o cabelo para frente e para trás enquanto It's My Life ditava o ritmo da noite.

Para minha Dean,aquela que me faz rir a todo e qualquer momento.

sábado, 1 de janeiro de 2011

So,what about rain on my parade?

Get ready for me love 'cause I'm a "comer",I simply gotta march,my heart's a drummer.Nobody,no,nobody is gonna rain on my parade.

   Em certo momento eu pensei em escrever em um pequeno papel algumas resoluções de como fazer meu ano dar certo,de como não cometer os mesmos erros e todas essas possíveis coisas.Pois bem,desisti,em minha cabeça eu já tinha minhas resoluções prontas e ficaria me lembrando a cada segundo de cada uma delas por todo o ano que se inicia,o que seria fácil uma vez que eram poucas resoluções.
   Meia-noite bateu no relógio,vinte minutos de belos e bonitos fogos se passaram,emoções através de abraços apertados foram sentidas e uma longa caminhada se iniciou.Então,uma pequena música saiu de minha boca sem ao menos eu pensar.Era como se eu tivesse ligado no automático.I gotta fly once,I gotta try once.Only can die once,right,sir? saia de minha boca em um tom baixo e eu só fui perceber quando me perguntaram o que eu estava cantando.Foi o momento em que eu quis rir e sorrir de felicidade pela música ter chegado aos meus lábios naquela bentida hora,naquele bentido dia.Faziam séculos que eu não a cantava ou tentava cantar,estragando minha garganta completamente por isso,e então ela resolve me aparecer.Eu tornei a me imaginar naquele belo vestido preto,representando Don't Rain on my Parade para milhares de pessoas,enquanto os rostos daqueles que eu queria provar algo,daqueles que eu amava e daqueles que queria orgulhar passavam diante de meus olhos com mais foco do que o resto do público.
   Eu tornei a estragar minha garganta três vezes durante a madrugada para tentar ouvir se eu ainda era capaz de tentar alcançar aquelas notas.Adivinhe?Eu ainda era capaz.Não ter folego ao final de cada uma das três vezes me fez levantar a cabeça e fechar os olhos imaginando a mesma cena ocorrida com Rachel.Ah,era como estar de volta...e eu não precisava,então,de uma lista de resoluções ou mesmo de uma ótima memória me lembrando do que eu não poderia fazer para não tornar meu ano miserável.A frase título da canção já me dizia tudo,não chover em minha parada ou como eu carinhosamente apelidei don't rain on my fucking parade.Não venho aqui remoer passado ou mesmo escrever o que deveria fazer,como dito,eu desisti dessa lista de resolução a certo tempo.Eu vim aqui lembrar-me de não deixar uma simples chuva atrapalhar toda minha parada.Traduzindo a bela metáfora isso é nada mais,nada menos do que não deixar que nada atinja a mim.Quero dizer,chore por tudo que deva chorar mas não deixe que isso lhe atinja por muito tempo.Não deixe que ninguém atinja sua linda parada,cheia de instrumentos diversos e uma voz que se destaca no meio da multidão.So,don't you dare rain on my fucking parade.